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já tive amigos a quem dei as mãos, a quem abracei. neles desenhei uma
árvore e depois um coração. bebemos da mesma água, como fazem os gatos e os
pássaros. mas agora compreendo que tudo quanto fiz foram poemas e que, afinal,
os homens são mesmo pássaros do chão.
hoje à tarde escrevi numa parede de cal branca “o poeta só
tem por companhia a sua própria sombra”