gostava de conseguir explicar
que não escrevo poemas
de literatura
os meus poemas
são animais sem sombras
como são as flores
no meu quintal
aquele abraço
que dei uma vez a um gato
e agora é um deserto
que não alcanço
o olhar nas minhas crianças
que vai com elas
e nunca mais terá regresso
o gesto que se move
em redor de tudo
o que se parece com o mar
porque assim
são os poemas
que são a própria vida