segunda-feira, 23 de setembro de 2024

 


por vezes

os amigos vão embora

 

as ruas

as paredes

entre as casas

 

os passos

que a memória

guarda num retrato

 

e então

cravo uma rosa no meu coração

e vejo-a crescer luminosa

 

elevar-se

da ferida aberta

 

uma lágrima

ilumina a sua ausência

domingo, 22 de setembro de 2024

 


por vezes

os amigos vão embora

 

as ruas

as paredes

entre as casas

 

os passos

que a memória

guarda num retrato

 

e então

cravo uma rosa no meu coração

e vejo-a crescer luminosa

 

elevar-se

da ferida aberta

 

uma lágrima

ilumina a sua ausência

 


vi uma fotografia

muito antiga

 

em que se via

quase tudo

desfocado

 

desfocados

são os lugares

sem desertos

 

pergunto

 

o que cada um

de nós faz

numa fotografia

 

que engano

é este

 


185

 

ao longo da água

ouço ainda os passos

do verão

 

do lado do mar

tão devagar e sobre

as casas

 

escondendo o sono

e o dia

 

saúdo a neblina

e esta alegria

 

chamada outono

sábado, 21 de setembro de 2024

 


184

 

é sábado

 

livra-me do domingo

e dos outros dias

que seguem

 

ajuda-me a suportar

as tantas coisas que

acontecem nesta

cidade

 

podia até escrever

um poema muito longo

 

como fazem aqueles

poetas muito cultos

 

mas olha

 

o circo chegou

à cidade

 


Deus não fala

 

é mudo

desde que nasceu

e fez o mundo

sexta-feira, 20 de setembro de 2024

 


                                                            oração

 

uma rã

atravessa a tarde

 

a noite regressa

e atravessa a rã

 

uma estrela

perto dos seus olhos

também regressa

 

depois

a noite abre-se

e chove nas ervas

nos charcos e nas árvores

 

é quando a rã

se envolve em chuva

e canta

 

alcançou a noite

através da

água