o que te disse nestes dias
em que tudo se transformou em chuva
as notícias a insensatez
as mortes
a certeza de uns
e a pobreza de outros
e alguém dorme comigo todos os dias
nesta coisa estranha
que nos deste
oh dá-nos uma vida
onde uns e outros sejamos
a flor nunca dita
sábado, 12 de abril de 2008
sábado, 22 de março de 2008
já ouvi falar de pessoas como tu
que atravessam as ruas
em sítios perigosos
e se enchem de pássaros
por onde passam
e são como os peixes
e sobre a água da chuva vão
serenos e descalços
até que faça frio.
e um dia começam a falar com as flores
e dizem com gestos nas palavras
o pão o vinho a água
e sei que houve uma noite
em que foste mais do que esta vida
e colheste amoras e outros frutos
para um cesto
que nós desconhecemos.
e então pediste-nos uma cruz
que atravessam as ruas
em sítios perigosos
e se enchem de pássaros
por onde passam
e são como os peixes
e sobre a água da chuva vão
serenos e descalços
até que faça frio.
e um dia começam a falar com as flores
e dizem com gestos nas palavras
o pão o vinho a água
e sei que houve uma noite
em que foste mais do que esta vida
e colheste amoras e outros frutos
para um cesto
que nós desconhecemos.
e então pediste-nos uma cruz
segunda-feira, 17 de março de 2008
sábado, 8 de março de 2008
a minha mãe já não entende o mundo
e as suas palavras descem sossegadas
misturam-se no ar e nas paredes
são borboletas são pássaros
pequenas coisas de carinho
um poço mais fundo
onde se vê tudo o que há no mundo
onde as laranjas têm árvores
e crianças nas janelas
e eu corro em campos de alegria
com uma dor no coração
e as suas palavras descem sossegadas
misturam-se no ar e nas paredes
são borboletas são pássaros
pequenas coisas de carinho
um poço mais fundo
onde se vê tudo o que há no mundo
onde as laranjas têm árvores
e crianças nas janelas
e eu corro em campos de alegria
com uma dor no coração
sábado, 1 de março de 2008
para a Sílvia Brites
há mais coisas no mundo
mais dias na vida
rosas casas
barcos no mar
conchas e mistérios na areia
árvores que deram fruto
paisagens onde estamos
e o que foi feliz pode ser triste
pois as coisas também se quebram.
mas à medida que envelhecemos
percebemos
que pode haver alegria
mesmo naquilo que não temos
há mais coisas no mundo
mais dias na vida
rosas casas
barcos no mar
conchas e mistérios na areia
árvores que deram fruto
paisagens onde estamos
e o que foi feliz pode ser triste
pois as coisas também se quebram.
mas à medida que envelhecemos
percebemos
que pode haver alegria
mesmo naquilo que não temos
domingo, 3 de fevereiro de 2008
eu não sei
como é com as outras mães
mas a minha ensinou-me
a ver os pássaros que dantes
as árvores tinham
outras vezes
com as suas mãos
passava sobre as minhas dores
e ficavam pequenas rosas
que ainda hoje não entendo
e cuidou de mim nas minhas feridas
aconchegou-me nos dias frios
e nas noites de pavor e medo
mostrava-me um senhor numa cruz
e dizia-me que assim era também o seu amor
a mãe deu-me tudo
e quando um dia quis pagar-lhe
essa incomensurável dívida
já não estava
como é com as outras mães
mas a minha ensinou-me
a ver os pássaros que dantes
as árvores tinham
outras vezes
com as suas mãos
passava sobre as minhas dores
e ficavam pequenas rosas
que ainda hoje não entendo
e cuidou de mim nas minhas feridas
aconchegou-me nos dias frios
e nas noites de pavor e medo
mostrava-me um senhor numa cruz
e dizia-me que assim era também o seu amor
a mãe deu-me tudo
e quando um dia quis pagar-lhe
essa incomensurável dívida
já não estava
Subscrever:
Mensagens (Atom)