pergunta por mim naqueles dias
naquelas tardes de luz
em que nada envelhece
ou então serão os olhos sem pressa
as tangerinas
e as sombras que fazemos ao passar
ou apenas o leve torpor da geada
nas escondidas casas
quando anoitece
sexta-feira, 12 de outubro de 2007
terça-feira, 9 de outubro de 2007
ficaram rosas
para que a minha vida fosse melhor
pedi um pouco da tua luz
um pequeno gesto pousado
e deixei-me cair no teu coração
sem braços sem corpo sem nada
apenas a minha alma
e depois deitei-me a teu lado
como fazem os pássaros
quando morrem.
e ficaram rosas
segunda-feira, 8 de outubro de 2007
agora sabes quem sou
eu sou a voz que reclama
tudo o que te pertence
corpo espírito alma
coração e pele
o ar que respiras
os teus pequenos gestos pela manhã
a noite e o chão que pisas
e reclama sem peso medida
força ou grades
e ainda assim te reclama tudo o que tens
e te deixará sem nada
pobre e despida no mundo
pois reclamo também a luz do teu olhar
o teu cabelo desarrumado
os passos que deixaste na areia
enquanto caminhavas a meu lado
e vida por vida te garanto
que não haverá trocas nem cedências:
agora já sabes quem sou
tudo o que te pertence
corpo espírito alma
coração e pele
o ar que respiras
os teus pequenos gestos pela manhã
a noite e o chão que pisas
e reclama sem peso medida
força ou grades
e ainda assim te reclama tudo o que tens
e te deixará sem nada
pobre e despida no mundo
pois reclamo também a luz do teu olhar
o teu cabelo desarrumado
os passos que deixaste na areia
enquanto caminhavas a meu lado
e vida por vida te garanto
que não haverá trocas nem cedências:
agora já sabes quem sou
quarta-feira, 3 de outubro de 2007
pequena oração
se encontrares este poema
guarda-o
ele é a flor que abriu
uma mão fechada na semente
o que era água e luz
pela fresta entrou
guarda-o
ele é a flor que abriu
uma mão fechada na semente
o que era água e luz
pela fresta entrou
quarta-feira, 26 de setembro de 2007
se houvesse escolha
se houvesse escolha
para as crianças que morreram este verão
à beira dos rios e dos pássaros calmos
e se houvesse escolha
para as sombras que nos seguem
e para as coisas que se quebram
e para as árvores em novembro
com as suas cores desbotadas
e porque não há escolha no tomilho
nem se escolhe ser melro
ou um dia por acaso
nem as estações escolhem
os seus desígnios
ou se houvesse escolha
nas portas e janelas do mundo
por onde entrar sair ficar
para as crianças que morreram este verão
à beira dos rios e dos pássaros calmos
e se houvesse escolha
para as sombras que nos seguem
e para as coisas que se quebram
e para as árvores em novembro
com as suas cores desbotadas
e porque não há escolha no tomilho
nem se escolhe ser melro
ou um dia por acaso
nem as estações escolhem
os seus desígnios
ou se houvesse escolha
nas portas e janelas do mundo
por onde entrar sair ficar
terça-feira, 10 de abril de 2007
domingo, 11 de março de 2007
estas são as coisas que te disse
todas elas já arrumadas nas sombras
ou dentro de livros embaciados
outras caídas em manchas de roupas
que não têm uso
enquanto as folhas das árvores
percorrem o seu caminho até ao chão.
e tu vês a minha mão
e como os vidros
reflectem as minhas feridas
agora que as casas são imagens
e as pedras cumprem o que lhes foi dado.
chega aqui: no teu ouvido
nunca envelheci
todas elas já arrumadas nas sombras
ou dentro de livros embaciados
outras caídas em manchas de roupas
que não têm uso
enquanto as folhas das árvores
percorrem o seu caminho até ao chão.
e tu vês a minha mão
e como os vidros
reflectem as minhas feridas
agora que as casas são imagens
e as pedras cumprem o que lhes foi dado.
chega aqui: no teu ouvido
nunca envelheci
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