segunda-feira, 4 de agosto de 2025

 


o amor

mesmo quando não arde

 

é coisa de se ver

 

porque incendeia

aqui

 

incendeia ali

 

escondido do olhar

 

se fosse um fogo

haveria de queimar

tudo em seu redor

 

assim

arde e consome

longe do olhar

 

e de qualquer

entendimento

domingo, 3 de agosto de 2025

 


o meu irmão

que morreu há tanto

 

e então

pergunto-lhe

 

como pode ser

que só agora te veja

 

tão cego o coração

que só agora

te vi

 

e te pergunto

 

o que fazes

nos meus poemas

 

que fazes aqui

espinosa

terça-feira, 29 de julho de 2025

 


285

 

o jardineiro amava

maria

 

os dois à vez

davam beijos e dormiam

 

às vezes perdiam-se

nas mãos

 

ou então

no coração

 

todos lhe chamavam

madalena

 

ele só a tratava

por maria

 

e por onde quer

que fossem

 

na vida e na morte

 

ele foi sempre

o jardineiro de maria

domingo, 27 de julho de 2025

 


54

 

antigamente

quando te chamava

mãe

 

não fazia ideia do

peso do teu

nome

 

agora

compreendo que

tudo não passou de

uma perda

para lá do fim da

tarde

 

que cada um

cai

 

na sua vez

quinta-feira, 24 de julho de 2025

 


em breve virá o

outono

 

os pássaros já

voam em sua direcção

 

as plantas e os

insectos estremecem

na sua música

 

move-se a água

aqui na terra e

no céu

 

infinita a luz que

tudo move

 


64

 

há quem julgue que sou um fervoroso crente. desses que acreditam na existência de Deus, e que este terá sido o criador disto tudo. mas a minha crença é na poesia, que foi ela a criar o mundo e, claro, Deus. por outras palavras, no que acredito mesmo é na ausência de Deus, e que este nada mais criou que a sua infinita falta. de qualquer modo, existe a fábrica do tudo, mas hoje não vou falar dela

quarta-feira, 23 de julho de 2025

 


senhor

 

tu nunca escreveste

por linhas tortas

 

nunca passaste por nós

como se evitasses a chuva

 

nem paraste à noite

entre duas paredes

sem sombra

 

não prometeste

um mar de rosas