segunda-feira, 3 de fevereiro de 2025

 


se tu soubesses

 

mas tu não sabes nada

só sabes contar e contar

e só isso te contenta

 

e agora a morte encheu-se

de nomes e palavras

 

e alguém explicou

que tudo o que há na morte

é ausência

 

uma ferida que se abriu

numa janela que tão longe

não regressa

 

e já nunca nos dizes nada

sobre as rosas

sobre as rosas

 

as rosas

 


por que não atravessamos

mais vezes os rios

 

por que guardamos tanto

os nomes dos que amamos

 

por que não lhes dizemos

 

por que ficamos tantas vezes

à porta dos amigos

 

por que não lhes dizemos

e entramos

 

porque esperamos

que a morte nos ensine

domingo, 2 de fevereiro de 2025

 


todos chegamos

de algum lado

 

e fazemos perguntas

aos que estão

 

e fazemos do que somos

o outro lado que já se foi

 

eu sei

às vezes juntamo-nos

lá fora

uns e outros

 

para que nunca

se faça tarde no coração

 


se um dia houver

domingo à tarde

 

uma canção

que possa dizer-se devagar

para que nunca se acabem

as coisas que nos fazem

sorrir

 

que nos fazem pensar

que haverá sempre chuva

e dias como este

 

duas ou três mãos

à nossa volta

 

um beijo

um abraço

um gesto largo e autêntico

 

uma palavra que tenha

a forma de barco

 


309

 

correndo pela casa

o menino

enquanto a chuva

atravessa

a noite

 

não se vê

 

mas uma luz ilumina

as suas mãos

 

ninguém pôde ver

esta fotografia

 

e no entanto as paredes

encheram-se

de retratos

 

o tempo vem com as rosas

sábado, 1 de fevereiro de 2025

 


merda

 

palavra usada para exprimir

o quanto repudio

 

a mediocridade

 


42

 

não acredito

em salvadores

 

mas creio em ti