no tempo
em que fui criança
não quis ser
ser crescido
e quando cresci
foi forçado
relutante o coração
relutante o pássaro
enquanto via
tanta gente crescer
e tornar-se importante
olha
fui sempre
desinteressado
há quem julgue
que sabe quase tudo
sobre o mundo
eu sei quase nada
sobre as mãos
há quem viaje muito
e para lugares tão longe
eu trago estrelas
nas mãos
também
há quem saiba
quase tudo sobre Deus
eu faço desenhos dele
no chão
há quem só queira
ir morar no céu
eu já plantei as rosas
e ajoelhei no coração
podíamos ser devagar
e olhar as coisas
sem lhes tocarmos
uma alegria
que fosse quase
do tamanho
mas nunca maior
ao que havia
e assim a tristeza
tudo
em medida bastante
do grande ao pequeno
do longe ao perto
e nós chegarmos
ou irmos
sem algum lugar
para chegarmos
sem algum lugar
para ficarmos
como se fôssemos
chuva
o
poeta não busca posteridade. ele aprendeu que essa é uma palavra sem fundo
o
poeta não busca prestígio. ele sabe que tal palavra pesa muito e cega
o
poeta não escreve para que um leitor o leia. poucos serão os que, realmente,
hão de lê-lo
o
poeta não tem motivos úteis para escrever. ele desconhece por que escreve
o
poeta não escreve para que outros se sintam alegres ou tristes. ele revela
o
poeta não apregoa verdades. ele torna-se a sua verdade
o
poeta sabe que nenhum poema é escrito com palavras
o
poeta nunca há de estar onde o procuram
o
poeta não morre uma vez. morre as vezes necessárias
o
poeta escreve contigo. embora ainda não saibas, tu és Deus