segunda-feira, 30 de setembro de 2024

 

queima esta terra

para que ela não

arda mais

 

e nenhum homem

faça mal a outro homem

 


e assim as suas

mãos caiam

 

se abra

o seu coração

 

e nos seus pés

não comecem estradas

 

mas apenas

mais desertos


 


aqueles que seguem

outras estradas

 

não são diferentes

de ti

 

são apenas mãos

que se afastam

 

também

elas procuram

os desertos

 


como plantares uma árvore

sem borda d’água

 

e sem ajuda de metáforas

 

plantas primeiro

um céu com nuvens

 

providencia que chova

um rio ou dois

 

e depois junta-lhe

um azul com muito

sol

 

pássaros

muitos pássaros

 

bichos insectos

e terra sem chão

pois as árvores gostam

de voar

 

de seguida aguarda

 

a árvore começa

a crescer por cima

domingo, 29 de setembro de 2024

 


e o poeta disse

 

toma-me nesta água

e dá-me de beber

ao mundo

 


o instante é breve

 

as casas parecem

silenciosas e desertas

 

não há rumores

nem vento

 

os animais olham

e as sombras

não se movem

 

um pássaro

atravessa a aldeia


 


196

 

hoje vim cantar

e não cantei

 

foste tu a

cantar

sexta-feira, 27 de setembro de 2024

 


a gente

ama devagar

e sem porquê

 

alguém distante

que lhe traz uma flor

 

alguém que se vai

sem quebrar

o horizonte

 

talvez

nada mais

que um nome

 

e ainda assim

 

um aperto tão forte

onde o coração

bate