tudo
o que é importante
custa a alcançar
não porque seja distante
não porque seja pesado
mas porque
não é com as mãos
que se alcança
a quem está doente
prescrevo um pouco de sol
a quem sofre
a mão de alguém que lhe diga
trago-te o sol
na minha própria sombra
a quem envelheceu
com medo
a página de um livro
onde possa ler
fui a vida
que me aconteceu
a todos os que já só olham a rua
de dentro de uma janela
malva cidreira tomilho
dente de alho
e tília
o meu quintal
é tão pequeno
que um simples olhar
percorre todas as suas montanhas
abro as mãos
e tudo alcanço nas maçãs
abro a boca
e um silêncio dentro
leva-me ao melro no limoeiro
e tudo é tão vasto
nesta vontade de ser
pequeno
eu sei
há poetas que desejam
países muito grandes
a mim basta o quintal