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bom dia
Deus
que invocarei o
teu nome
sempre que
queira
muitas são as
estradas feitas
mas nenhuma me
convém
e assim
invocarei o
teu nome no
sangue que
nunca foi o meu
pois meus são a
vida o corpo e
o
coração
esforcei-me
por cuidar bem das plantas
deixei-me
estar apenas entre as aves
não
espantei os outros animais
nem
lhes roubei a sede
de
longe fiz contas com as árvores
e
os peixes cresciam no rio
embora
os insectos me incomodassem
nos
dias de calor junto aos amieiros
compreendi
que buscavam um entendimento
e
assim me esforcei por ser apenas um homem
que
seguia os pássaros com os olhos
no
coração
um
dia a chuva veio
e
era tudo muito calmo:
a
erva sabia
o
mocho e a cotovia sabiam
tudo
o que tive foi sorte
os
distantes dias antigos
que
nunca se gastaram
os
grandes rios
que
foram um só
e
de todos o mais profundo
e
ter aprendido a rezar
sem
crer
e
viver com Deus sem que ele
saiba
ou conheça
porque
de quase tudo
fui
segredo
assim
a sorte do que amei
nos
insectos nas amoras
e
depois nas cerejas
a
sorte dos poemas
todas as coisas foram vistas em detalhe
nasceram e cresceram como flores
tiveram dias plenos
noites de espera à varanda
e depois morreram como tudo morre
neste lado da casa e debaixo das cadeiras
e algumas vezes guardei o sol nas mãos
como se guardasse de ti
os vestígios todos
e então vi que as tuas marcas
estão nos peixes nas plantas
na calma dos pássaros
e no agitado animal faminto
e que a tua luz não tem reflexos
sombras datas tábuas corredores
o que todos os nomes dizem