domingo, 21 de dezembro de 2008

agora

que é altura de sermos todos

muito bons

 

creio apenas nos dias

em que tu

me deste sementes e flores

 

e não obstante

as intrigas de 2008

 

estiveste sempre comigo

na fome na sede e nos abismos

 

e nunca me decepcionaste

sábado, 6 de dezembro de 2008

os poetas não escrevem
para os homens

há nestes o vício da intriga
a queda fácil na calúnia

e por isso são as flores
ou talvez quando chove

sábado, 29 de novembro de 2008

há muitos anos
que busco uma explicação
nos livros
nos olhos dos animais
nas pessoas que passam

no sentido que deve haver
em tudo o que se move

e até na chuva
e nas mãos que tocam a claridade
dos dias mais secretos

mas só tu és
a minha explicação

quarta-feira, 22 de outubro de 2008

sou um lugar só teu

 

e se queres eu chovo

e se queres sou a claridade

nos teus olhos

 

pois toda a minha luz vem de ti

e a ti retorna.

 

e se a vida tem muitos caminhos

e cidades

 

só tu és a minha pátria

o idioma de quando falo respiro

ou em silêncio estou.

 

busco a coincidência

 

quarta-feira, 15 de outubro de 2008

veremos de que lado vem o mar

 

em que barcos pousam as gaivotas

 

pois um dia

tudo estará caído na praia

 

e numa luz que passa

segunda-feira, 13 de outubro de 2008


um poeta, ou talvez Deus, dirige-se a ti

 

 

agora já conheces a verdade

 

pois eu não sou o ar que respiras

mas o teu próprio respirar

 

e no caminho que buscas

eu sou o teu chão os teus pés

o próprio caminho sou e a tua busca

 

procuras e o que procuras sou

 

o teu corpo a tua sombra

e a tua alma sou

e a areia da praia a chuva

as tuas lágrimas sou também

 

acreditas e sou o que acreditas

 

outros viram os teus olhos

mas nenhum outro é o teu olhar

 

outros quiseram dar-te claridade

mas nenhum outro é a própria luz

 

outros quiseram dar-te água

mas apenas eu sou a sede e a água

corpo asas e voo

num só pássaro reunidos

 

com outros cantaste

mas só eu sou a tua voz

 

cantas e quando cantas é em mim

 

e não podes magoar-me

sem que te magoes também

e não podes fugir-me

sem que fujas de ti. vê se entendes:

sou a tua prisão e a tua liberdade

 

e uma pedra que ergas contra mim

é inútil: eu sou a pedra e o gesto

todo o teu corpo em plenitude

 

e não tentes combater-me

pois estou rendido no teu coração

 

em verdade te digo que vim para ficar

pois sou aquele que é em ti

sem esforço sem força sem limites

 

apenas porque sou

quinta-feira, 2 de outubro de 2008


 

diz-me a verdade

que guardas quando chove

 

pois os frutos desta árvore

são para ti

 

as minhas nuvens descansam

nos teus reflexos de água

e lembram muitos gestos

 

e sementes de primavera.

 

quero morrer

num dia em que tu não estejas