segunda-feira, 13 de outubro de 2008


um poeta, ou talvez Deus, dirige-se a ti

 

 

agora já conheces a verdade

 

pois eu não sou o ar que respiras

mas o teu próprio respirar

 

e no caminho que buscas

eu sou o teu chão os teus pés

o próprio caminho sou e a tua busca

 

procuras e o que procuras sou

 

o teu corpo a tua sombra

e a tua alma sou

e a areia da praia a chuva

as tuas lágrimas sou também

 

acreditas e sou o que acreditas

 

outros viram os teus olhos

mas nenhum outro é o teu olhar

 

outros quiseram dar-te claridade

mas nenhum outro é a própria luz

 

outros quiseram dar-te água

mas apenas eu sou a sede e a água

corpo asas e voo

num só pássaro reunidos

 

com outros cantaste

mas só eu sou a tua voz

 

cantas e quando cantas é em mim

 

e não podes magoar-me

sem que te magoes também

e não podes fugir-me

sem que fujas de ti. vê se entendes:

sou a tua prisão e a tua liberdade

 

e uma pedra que ergas contra mim

é inútil: eu sou a pedra e o gesto

todo o teu corpo em plenitude

 

e não tentes combater-me

pois estou rendido no teu coração

 

em verdade te digo que vim para ficar

pois sou aquele que é em ti

sem esforço sem força sem limites

 

apenas porque sou

quinta-feira, 2 de outubro de 2008


 

diz-me a verdade

que guardas quando chove

 

pois os frutos desta árvore

são para ti

 

as minhas nuvens descansam

nos teus reflexos de água

e lembram muitos gestos

 

e sementes de primavera.

 

quero morrer

num dia em que tu não estejas

sábado, 27 de setembro de 2008

quero estar sempre contigo

 

com as árvores e o mundo

enquanto chove nas rosas

 

e os pássaros regressam

aos países

 

do coração

sexta-feira, 26 de setembro de 2008

e assim o amor não tem explicação


resiste à lógica

às coisas de vidro e ao papel

 

vem quando vem

sem portas janelas chaves


e mora no coração

quinta-feira, 18 de setembro de 2008

acredito que és Deus

 

e por isso choves nas árvores

e nos beirados das casas

 

e as pessoas pensam que a chuva

é uma coisa natural

como os frutos das árvores

e os pássaros nos quintais

 

e por isso já não ligam

nem perdem tempo a olhar

 

mas eu sei que nas tuas mãos

só há mistérios

sábado, 6 de setembro de 2008


esta é a minha morte

e nela
uma flor

com o teu nome

quarta-feira, 3 de setembro de 2008


li num livro

que tu respiras nas árvores

e às vezes
em dias que não se explicam

vais com as aves:

estações e chuva
no meu coração